Body shop vende horas de profissionais alocados no time do cliente. Projeto vende um resultado: a sua equipe entrega um sistema com escopo, prazo e aceite. Body shop tem receita previsível e margem curta.
Projeto tem margem maior e risco maior, e é o único dos dois que pode deixar código próprio na empresa.
No Brasil, body shop tem dois riscos que projeto quase não tem. O primeiro é tributário: o Simples Nacional proíbe cessão de mão de obra (LC 123/2006, art. 17, XII). O segundo é trabalhista: profissional PJ alocado que trabalha como empregado pode ter o vínculo reconhecido.
Qual a diferença entre body shop e projeto?
| Body shop (alocação) | Projeto | |
|---|---|---|
| O que você vende | Horas de pessoas | Um sistema entregue |
| Quem gerencia o dia a dia | O cliente | A sua software house |
| Receita | Previsível, por pessoa alocada | Por marco ou fase |
| Margem | Diferença entre o que cobra e o que paga por pessoa | Depende da estimativa e do reaproveitamento |
| Risco principal | Cliente corta pessoas sem aviso | Escopo que cresce sem aditivo |
| Código que fica com você | Quase nenhum | Componentes, se o contrato reservar |
Body shop pode ficar no Simples Nacional?
A LC 123/2006, art. 17, XII, veda o Simples à empresa que realize cessão ou locação de mão de obra. A exceção do § 5º-H do art. 18 vale para atividades como construção, vigilância e limpeza, e não inclui desenvolvimento de software.
A Lei 8.212/91 define cessão de mão de obra como a colocação à disposição do contratante, nas dependências dele ou de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação (Lei 8.212/91, art. 31, § 3º). Alocação de dev no time do cliente, de forma contínua, chega perto disso.
Alocar PJ no cliente dá problema trabalhista?
A terceirização é permitida em qualquer atividade, inclusive a principal do cliente (Lei 6.019/74, art. 4º-A). O problema está na relação entre a sua empresa e o profissional alocado.
Pela CLT, empregado é pessoa física que presta serviço não eventual, sob dependência do empregador e com salário (CLT, art. 3º). Os sinais de risco num body shop com PJ:
- horário fixo controlado por você ou pelo cliente;
- ordens diretas e avaliação como se fosse funcionário;
- exclusividade, sem outros clientes;
- valor mensal fixo que funciona como salário;
- a mesma pessoa, no mesmo posto, por anos.
Qual dá mais margem?
Body shop tem margem previsível e pequena. Você ganha a diferença entre o valor cobrado e o custo da pessoa, menos o tempo parado entre alocações. Não há ganho de eficiência: se a pessoa trabalha melhor, quem ganha é o cliente.
Em projeto, a eficiência é sua. Cada componente reaproveitado reduz horas sem reduzir preço.
| Fonte de margem | Body shop | Projeto |
|---|---|---|
| Diferença de valor da hora | Sim | Sim |
| Reaproveitamento de código | Não | Sim |
| Ganho por processo melhor | Fica com o cliente | Fica com você |
| Risco de estimativa | Não | Sim |
O preço de projeto em detalhe está em escopo fechado ou por hora.
Como sair do body shop sem perder receita?
Pouca software house troca de modelo de uma vez. O caminho mais comum é misturar:
- Mantenha a alocação que paga a folha.
- Ofereça aos mesmos clientes pequenos projetos com escopo fechado: um módulo, uma integração, uma migração.
- Monte uma equipe pequena e fixa para projetos, separada dos alocados.
- Guarde num repositório próprio tudo o que for genérico e escreva no contrato que esses componentes ficam com você.
- Revise a cada trimestre quanto da receita vem de cada modelo.
O que cada modelo deixa de código
Em body shop, o profissional escreve código dentro do repositório do cliente, para o cliente. Pela Lei 9.609/98, art. 4º, o programa desenvolvido em contrato de serviços cujo objeto é desenvolver pertence ao contratante, salvo estipulação em contrário. Quase nada fica com você.
Em projeto, dá para negociar. O que costuma ficar com a software house, se o contrato disser:
- componentes e bibliotecas que você já tinha antes do projeto;
- código genérico, sem dados nem regras de negócio do cliente;
- ferramentas internas de build, deploy e teste.
O cliente recebe licença para usar esses componentes. Veja quem é dono do código fonte e quanto esse acervo pode valer em quanto vale um código fonte.