Software house em tempos difíceis
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Gestão

Escopo fechado ou por hora: qual modelo dá mais margem para a software house

Resumo

Escopo fechado paga melhor quando o requisito é claro e a sua equipe já fez algo parecido. Por hora protege a margem quando o escopo é incerto, mas deixa a receita presa ao tamanho do time. A maioria das software houses ganha mais com um modelo misto: descoberta paga, escopo fechado por fase e hora para o que mudar.

Escopo fechado dá mais margem quando o requisito está escrito e a sua equipe já fez algo parecido. Por hora dá mais segurança quando ninguém sabe ainda o que será construído. Escolher errado custa caro nos dois sentidos: escopo fechado com requisito vago vira prejuízo, e por hora em projeto repetitivo deixa dinheiro na mesa.

A decisão não precisa valer para o projeto inteiro. Muita software house fecha a descoberta por um valor pequeno, vende o escopo fechado por fase e cobra as mudanças por hora.

Qual a diferença entre escopo fechado e por hora?

Escopo fechadoPor hora
Quem assume o risco do prazoA software houseO cliente
O que o cliente compraUm resultado definidoTempo da equipe
Margem possívelAlta, se você estimar bemEstável, limitada pelo valor da hora
Pior cenárioProjeto que dobra de tamanho pelo mesmo preçoCliente que corta o time de um mês para o outro
ExigeRequisitos escritos, aceite, aditivoRelatório de horas, confiança, gestão de prioridade
Combina comSistema parecido com o que você já fezProduto novo, startup, sustentação

Quando escopo fechado dá lucro?

Escopo fechado paga bem quando três coisas estão presentes:

  1. Requisitos escritos. Telas, integrações, regras e o que fica de fora estão num documento que o cliente assinou. Veja levantamento de requisitos.
  2. Repetição. A equipe já entregou algo parecido e você sabe quanto tempo levou de verdade.
  3. Processo de mudança. O contrato diz que pedido novo vira aditivo, com prazo e preço.

Com essas três condições, a margem vem da eficiência. Cada componente que você reaproveita reduz horas e aumenta o lucro, porque o preço não muda.

Quando cobrar por hora é melhor?

Por hora protege a software house quando o projeto é incerto por natureza:

O limite do modelo por hora é a escala. A receita cresce só com mais gente, e cada pessoa parada entre projetos é custo. Em alocação pura, a conversa vira body shop, como mostra body shop ou projeto.

Como montar um modelo misto?

O arranjo que reduz o risco dos dois lados:

  1. Descoberta paga. Duas a quatro semanas, valor fixo pequeno ou por hora. Sai daqui o documento de requisitos e a estimativa.
  2. Escopo fechado por fase. Cada fase tem entregáveis, aceite e pagamento próprios.
  3. Banco de horas para mudanças. O que não está no escopo da fase entra num banco de horas com valor combinado.
  4. Revisão entre fases. O preço da próxima fase pode mudar com o que se aprendeu.

Como o modelo de preço afeta o seu código?

Pouca gente pensa nisso na hora da proposta. Em escopo fechado, você tem incentivo para construir componentes reaproveitáveis, porque cada hora economizada vira margem. Por hora, esse incentivo some.

Com o tempo, a software house que trabalha com escopo fechado acumula bibliotecas, módulos e produtos internos. Esse acervo tem valor próprio, desde que o contrato deixe esses componentes com você.

Quanto esse acervo pode valer está em quanto vale um código fonte.

Como calcular o preço em cada modelo?

ModeloBase do preço
Por horaCusto da hora da equipe + overhead + margem
Escopo fechadoHoras estimadas × valor da hora + reserva de risco + margem
MistoDescoberta fixa + fases com escopo fechado + banco de horas

A reserva de risco no escopo fechado depende de quanto você já fez algo parecido. Projeto inédito pede reserva maior. O passo a passo da conta está em quanto cobrar por um sistema.

Perguntas frequentes

Quando escolher escopo fechado?

Quando os requisitos estão escritos, o cliente aceita um processo de mudança de escopo e a sua equipe já entregou algo parecido. Sem essas três condições, o risco fica todo com você.

Quando cobrar por hora?

Quando o escopo é incerto, o produto vai mudar durante o projeto ou o cliente quer controlar a prioridade semana a semana. A margem fica previsível, e a receita cresce só com mais gente.

Dá para misturar os dois modelos?

Dá, e costuma ser o melhor arranjo: descoberta paga por hora ou valor fixo pequeno, depois escopo fechado por fase, e mudanças cobradas por hora ou por aditivo.

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