O preço de um sistema sai de uma conta com quatro partes: horas estimadas para todo o trabalho, custo real da hora da sua equipe, reserva para risco e margem. Por cima disso entram os impostos do seu regime.
Quem calcula só pelas horas de desenvolvimento deixa de fora gestão, QA, design, reuniões, deploy e o tempo em que a equipe fica sem projeto.
A pergunta “quanto custa desenvolver um aplicativo” só tem resposta depois de um levantamento de requisitos. Antes disso, qualquer número é chute.
Passo 1: estime as horas de todo o trabalho
Parta do documento de escopo. Se ele ainda não existe, comece por levantamento de requisitos.
Quebre cada funcionalidade em tarefas e estime em horas. Depois some o que costuma ficar de fora:
| Atividade | O que costuma ser esquecido |
|---|---|
| Gestão de projeto | Reuniões, status, alinhamento com o cliente |
| Design | Protótipo, ajustes, revisões |
| QA | Testes manuais, automação, regressão |
| DevOps | Ambientes, CI/CD, deploy, monitoramento |
| Integrações | Documentação ruim da API do terceiro, ambiente de homologação que cai |
| Garantia | Correções depois da entrega |
Muitas software houses estimam o desenvolvimento e acrescentam um percentual para o restante.
Passo 2: calcule o custo real da hora
- Some o custo mensal da equipe produtiva: salários com encargos para CLT, notas dos PJs.
- Some a estrutura: sócios que não faturam, comercial, ferramentas, aluguel, contador.
- Divida pelas horas que a equipe fatura de verdade no mês.
Passo 3: coloque o risco no preço
Em escopo fechado, quem assume o estouro é você. Inclua uma reserva proporcional à incerteza:
- integração com sistema que você não conhece;
- cliente que nunca fez software;
- prazo apertado;
- dado legado sem documentação.
Projetos parecidos com outros que você já fez pedem reserva menor.
Por hora, o risco de escopo fica com o cliente. A reserva pode ser menor, mas o seu risco passa a ser de ocupação: o cliente pode reduzir horas a qualquer momento.
Passo 4: some margem e impostos
A margem é o que sobra para a empresa depois de pagar todos os custos. Defina uma meta e aplique sobre o custo com risco.
Os impostos dependem do regime. No Simples Nacional, a atividade de software pode cair no Anexo III ou no Anexo V conforme o Fator R (LC 123/2006, art. 18), e a diferença de alíquota é grande.
Para cliente no exterior, alguns tributos não incidem sobre exportação de serviços, como o ISS (LC 116/2003, art. 2º, I). Veja contrato com cliente estrangeiro.
Escopo fechado ou por hora?
| Critério | Escopo fechado | Por hora |
|---|---|---|
| Escopo | Bem definido, assinado | Ainda em descoberta |
| Quem assume o estouro | Software house | Cliente |
| Margem possível | Maior, se você estimar bem | Mais estável, mais baixa |
| Precisa de | Documento de escopo, controle de mudança | Relatório de horas, confiança |
Um meio-termo comum: fase de descoberta por hora, desenvolvimento em escopo fechado com base no que a descoberta produziu.
Como baixar o preço sem baixar a margem
Reaproveite código. Se a sua software house já tem uma destas peças, o projeto custa menos horas:
- módulo de autenticação;
- painel administrativo;
- integração com gateway de pagamento;
- um produto que serve de base.
O preço pode cair e a margem subir.
Para isso funcionar, esses componentes precisam continuar seus depois da entrega. O contrato deve ceder ao cliente o que foi feito sob medida e licenciar o que já era seu. Veja quem é dono do código fonte e licença de software.